segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Família

Há famílias e famílias.
Em todas elas, se quisermos procurar atentamente, encontraremos algo que as distingue das demais. A sua origem, seja geográfica, étnica, de estrato social ou cultural, serão, claro está, indicativos marcantes de diferenciação. Mas outros há que poderão contribuir decisivamente para tornar uma família única, como p.e., traços fisionómicos, a quantidade dos seus membros, a excentricidade de um ou mais elementos que a constituem, etc.
Mesmo correndo o risco de tomar a árvore pela floresta, ou seja, fazer uma generalização considerando aspectos pouco abrangentes, há sempre a hipótese de encontrar o fio condutor de uma família.
Há quem afirme que os laços de sangue são a pedra de toque do carácter de um conglomerado de indivíduos, como é a famíla.
Talvez seja.
Há, também, quem assevere que sem esses laços, simplesmente ela não existe.
Discordo.
Se assim fosse, forçoso seria que a família se fechasse sobre si mesma, não procurasse no exterior o que nela não encontra, não se expandisse e, por fim, se esvaziasse.
Quantos de nós já não ouvimos alguém dizer que esta ou aquela organização, esta ou aquela pessoa é a sua família?
O sangue é muito pouco. O amor, é tudo.
Quando uma família se limita a ter laços de sangue, deixa de o ser.
Quando uma família alimenta o amor, a dedicação, a preocupação pelo outro, a amizade, o carinho, então será uma família com futuro.
Estaremos empenhados em alimentar a nossa família e conhecer o nosso fio condutor?

A chegada


Várias camadas de roupa fina, por isso inadequada ao inverno portugês, tolhiam os movimentos mas não conseguiam aplacar o frio intenso que sentia.
Expectante, desejoso de penetrar no desconhecido, estava eu no convés do transatlântico aguardando que atracasse ao cais.
Tremia, mas já não sabia se do frio, se da ansiedade.
Estávamos a 28 de Fevereiro de 1972. Nove dias antes a minha mãe, a minha irmã e eu, tínhamos embarcado no Rio de Janeiro, com a temperatura do ar a rondar os 40º .
A partida é sempre dolorosa. A chegada, uma incógnita. Muito foi deixado para trás. Muito aqui foi encontrado.
Se nada apaga o passado, também nada determina o futuro, apenas nós.
Vim encontrar um país que era (é) o meu mas que eu desconhecia. Uma língua que, sendo a mesma, era tão estranha. Pessoas das quais só sabia um ou dois nomes, mas que não tinham rosto. Ou se tinham, estavam muito desfocados nas fotografias da minha memória.
O inverno tornava ainda mais sombria a primeira imagem que tive de Portugal. Frio, escuro, triste, melancólico, muitas mulheres vestidas de preto, até os automóveis... não me lembro de ter visto um que não fosse antigo e preto. Era o nosso país. Aqui teríamos de refazer a nossa vida. Assim iríamos fazer.
A receber-nos, alguns familiares: os tios Quim, Tina, Toni e o nóvel primo Rui. Abraços, beijos, histórias adiadas contadas de uma assentada.
Depois de uma noite de repouso em Lisboa, rumámos ao Porto. Viagem longa e tormentosa num comboio que parava aqui, parava alí, parava em todo o lado. A paisagem, quase sempre a mesma, campos, campos e mais campos, mostrava um país profundamente rural. Ainda na Estação de Santa Apolónia, creio que aprendi a primeira palavra em calão português: GATUNO. Estava gatafunhado numa balança no átrio da estação. Indaguei acerca do seu significado. A resposta do tio Quim foi perentória: nada tinha a ver com os felinos, pelo menos na acepção literal. Outras se seguiram: fato, comboio, campos, bouças, etc.
Chegados ao Porto, dirigimo-nos a S. Mamede, à casa dos avós, na Rua Padre Costa. Se não estou errado, na casa contígua à que nasci.
Aí tínhamos a receber-nos o resto da família. Novamente beijos, abraços, choros, perguntas, muitas perguntas. A imagem que mais vivamente guardo na memória é a do meu avô. Cabelos brancos, pouco falador, mas transbordante de felicidade.
Um turbilhão de emoções. Para mim não foi inesperado, mas muito confuso, desgastante e ao mesmo tempo compensador. Afinal, também aqui tinha uma família. Numerosa. Atenta. Acolhedora.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Gerações da familia NEVES


1ª Geração

2ª Geração

3ª Geração

Conjugues







domingo, 22 de novembro de 2009

A História dos Neves

O PIONEIRO
Muito pouco ou mesmo nada posso dizer acerca do meu avô materno.
Consta que era originário de Valbom e que um dia rumou ao Porto em
busca de trabalho remunerado e, acrescento eu, de aventura.
Ao que parece, além do ambicionado trabalho também encontrou a sua
alma gémea, encarnada numa jovem casadoira, filha dos donos da casa
onde se hosperada.
Ele, o António. Ela, a Aurora. Os seus apaixonados olhares - e não só
- cruzaram-se e a Mãe Natureza fez o resto.

E O RESTO FOI...
O nascimento de 7 lindos rebentos. O primogénito recebeu o curioso
nome que, ditou o destino e a tradição de se atribuir ao afilhado o
nome do padrinho , fosse herdado por mim e por um primo mais velho.
O Albertino cresceu, fez-se homem e veio a conhecer a jovem Emília,
que desposou.
Infelizmente desconheço as origens desta jovem que viria a tornar-se a
matriarca da família Neves. A matriarca sim, pois dela nasceram 8
meninos e 3 meninas, que tornar-se-iam mancebos e moçoilas fortes e
bonitos q.b., para atingirem a idade adulta , casarem e se
multiplicarem.
Todos, menos 2, que por nos terem deixado mais cedo, não puderam
cumprir a última etapa.

AGORA SIM, O INÍCIO
Para não torrar mais bits, tempo e a paciência dos caríssimos leitores
e amigos - supondo que existem uns e outros - até porque a faladura já
vai longa, vou considerar que Os Neves tiveram o seu início no casal
Emília e Albertino.
Sabemos que não é verdade, mas irá dar muito jeito para a criação
partilhada de uma espécie de História da Genealogia Neves, tão
completa quanto possível, com nomes, datas e, porque não, fotos.

QUEM QUER CONTRIBUIR?
Não. Não estou a fazer um peditório para auxiliar os mais desfavorecidos.
O que pretendo é algo bem mais comezinho: os tais nomes, datas e as
fotos já referidas, curiosidades e tudo o mais que possa contribuir
para um melhor entendimento da nossa família.
Conhecer algumas particularidades d'Os Neves - venham daí as
bisbilhotices - poderá trazer uma nova luz ao nosso passado que, bem
aproveitada, sobretudo se forem utilizados painéis fotovoltaicos,
poderão iluminar o nosso futuro familiar.


Albertino Neves Costa